Universidade Portucalense – Infante D. Henrique

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Bruno Cunha distinguido com o Atlantic Security Award 2026

Bruno Cunha, docente do Departamento de Ciência e Tecnologia e investigador do REMIT, foi um dos vencedores do Atlantic Security Award 2026, promovido pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), em parceria com o Atlantic Centre e o Instituto da Defesa Nacional.

 

Comunica UPT: O projeto ARC valeu-lhe a distinção com o Atlantic Security Award 2026. Qual é o significado deste reconhecimento e o que diferencia a sua investigação?

Bruno Cunha: Fiquei muito contente com esta distinção. É um reconhecimento da relevância do problema que quero estudar e uma oportunidade para desenvolver o projeto com o apoio da FLAD, do Centro do Atlântico e do Instituto da Defesa Nacional. É também um incentivo importante para o trabalho que desenvolvo na Universidade Portucalense.

No ARC, procuro perceber como podemos coordenar melhor os meios disponíveis quando há um incidente num cabo submarino. Se houver vários incidentes ao mesmo tempo, temos de decidir onde intervir primeiro, que meios enviar e como os manter disponíveis para o que possa surgir a seguir. O que distingue o projeto é precisamente explorar este problema de coordenação com técnicas de inteligência artificial.

 

Como nasceu o projeto ARC e que desafio concreto procura responder na proteção dos cabos submarinos do Atlântico?

O ponto de partida foi olhar para a resposta a incidentes como um problema de decisão. Quando um cabo é danificado, há várias questões a resolver: que meios estão disponíveis, quanto tempo demoram a chegar, que outras operações estão em curso e a que situações devemos dar prioridade. No Atlântico, as distâncias tornam estas decisões particularmente difíceis. Um meio pode estar disponível, mas encontrar-se a vários dias de viagem do local onde é necessário. E, enquanto está a responder a um incidente, podem surgir outros.

O ARC nasceu desta preocupação: perceber como organizar melhor a resposta com os recursos existentes e como adaptar as decisões à medida que a situação evolui.

 

Grande parte das comunicações digitais internacionais depende de cabos submarinos. Até que ponto estamos conscientes da importância destas infraestruturas e das consequências que uma interrupção pode ter no nosso quotidiano?

Acho que ainda temos muito pouca consciência dessa dependência, e é sinal de que tudo costuma funcionar. Ao fazermos uma videochamada, ao acedermos a uma série em streaming e a consultarmos o saldo na app de homebanking no telemóvel não estamos conscientes do caminho que a informação percorre. Os cabos submarinos fazem parte desse caminho e asseguram grande parte das comunicações entre continentes.

As consequências de uma interrupção variam bastante. Havendo ligações alternativas com capacidade suficiente, o impacto pode ser reduzido. Noutras situações, podemos ter comunicações mais lentas, dificuldades de acesso ou interrupções de serviços. Novamente, esta infraestrutura passa facilmente despercebida quando está a funcionar, mas dependem dela muitas atividades que hoje damos como garantidas, tanto na nossa vida pessoal como no funcionamento das empresas.

 

A inteligência artificial está no centro do projeto ARC. De que forma pode ajudar a antecipar problemas, melhorar a coordenação dos meios disponíveis e tornar mais eficaz a resposta a incidentes?

A inteligência artificial permite explorar diferentes decisões e aprender com os seus resultados num ambiente simulado. No ARC, uso aprendizagem por reforço multiagente: os agentes representam os meios de resposta e vão experimentando formas de atuar e de se coordenar. Por exemplo, enviar um navio para um determinado incidente pode ser uma boa decisão naquele momento, mas deixá-lo demasiado longe de outra zona onde venha a ser necessário. Interessa perceber estas consequências ao longo do tempo. Aqui, antecipar problemas passa sobretudo por estudar cenários e preparar a resposta antes de uma situação real. A ideia é encontrar estratégias que se adaptem à informação disponível e avaliar se conseguem melhorar a resposta face a regras de decisão mais simples.

 

O projeto utiliza simulações para testar diferentes cenários de incidentes. Que situações pretende estudar e que vantagens apresenta esta abordagem face aos métodos tradicionais de planeamento e resposta?

Quero estudar situações em que a resposta se torna mais difícil: vários incidentes ao mesmo tempo, um navio indisponível, uma reparação que demora mais do que o previsto ou informação que chega com atraso. Também interessa perceber o efeito das distâncias, da autonomia dos meios e dos tempos de mobilização.

A grande vantagem da simulação é podermos repetir a mesma situação e experimentar decisões diferentes. Podemos perceber o que acontece se enviarmos outro meio, mudarmos uma prioridade ou tivermos menos recursos disponíveis, sem interferir com operações reais.

Isso permite complementar o planeamento com uma análise das consequências de cada escolha. A experiência dos profissionais continua a ser essencial, incluindo para garantir que as situações simuladas representam problemas relevantes.

 

Quais são os próximos passos do projeto? Que resultados espera alcançar e que possibilidades existem de transformar esta investigação numa ferramenta de apoio à decisão em situações reais?

Nesta fase, quero aprofundar a avaliação das estratégias e perceber melhor as decisões que os agentes estão a aprender. É importante comparar os resultados com abordagens mais simples e identificar as situações em que esta forma de coordenação pode trazer vantagens.

Espero que o projeto permita compreender melhor onde surgem atrasos, como a disponibilidade dos meios condiciona a resposta e que decisões ajudam a reduzir o impacto dos incidentes.

Vejo potencial para transformar este trabalho numa ferramenta em que seja possível explorar cenários, comparar alternativas e perceber as suas consequências. Para chegar a uma utilização real, será necessário trabalhar com especialistas e entidades do setor, melhorar os dados disponíveis e testar o modelo em condições próximas das operações. Esse contacto será fundamental para orientar o desenvolvimento da ferramenta.

Bruno Cunha distinguido com o Atlantic Security Award 2026
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