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“Não podia negar a minha ajuda”

“Não podia negar a minha ajuda”

Ana Rita Ferreira, 22 anos, respondeu ao apelo de várias instituições de apoio a pessoas idosas no contexto da Covid-19. Durante uma semana, foi voluntária no lar Nossa Senhora da Veiga em Foz Côa. Licenciada em Educação Social e mestranda em Ciências da Educação, Ana Rita consegue transformar a sua música preferida “All you need is love” em gestos que fazem a diferença.

Comunica UPT: Como tomou conhecimento da oportunidade de voluntariado no lar da Misericórdia de Foz Côa, no distrito da Guarda?

 

Ana Rita Ferreira: Soube da abertura da bolsa de voluntariado nacional e não hesitei em inscrever-me. Pouco tempo depois, fui contactada pela Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Foz Côa e não hesitei. 

Quais as razões que a motivaram a participar neste desafio humanitário?

As razões que me motivaram foram a consciência da obrigação de ajudar, de não poder ficar indiferente aos idosos, a quem devemos o mundo onde hoje vivemos, e de poder garantir as condições mínimas necessárias ao funcionamento do lar. Se precisavam da minha ajuda, não podia negá-la! Eram os mais velhos que estavam em causa. E se fossem os meus avós? Foi este pensamento que me fez acreditar que poderia fazer a diferença neste desafio humanitário.

Quando chegou ao lar, o que encontrou?

Encontrei uma imensidão de tarefas para realizar, uma vez que não havia funcionários suficientes para garantir as condições mínimas de funcionamento. Encontrei uma excelente organização. Desde o momento de entrada e de saída do lar, segui um protocolo que me defendia da contaminação. De facto, estava tudo planeado para que desse certo.

Quais as tarefas que desenvolveu ao longo dessa semana?

No primeiro dia perguntaram-nos se havia alguma tarefa que quisesse fazer ou tivesse interesse. Optei por fazer tudo. Ajudei naquilo que era mais necessário, desde trocar a roupa das camas, desinfetar os espaços, cuidar dos utentes, dando-lhes banho, trocando as fraldas e medindo os sinais vitais.

De que modo os conhecimentos e as competências adquiridos na licenciatura em Educação Social a auxiliou nesta experiência?

Entendo a Educação Social como uma atividade de ajuda aos outros sem receber nada em troca. É verdade que durante este voluntariado realizei tarefas que não correspondem à minha profissão. No entanto, ser Educadora Social é isso mesmo, é estar sempre apta a responder em qualquer contexto.

Qual foi o momento mais difícil que viveu? 

É difícil nomear um momento difícil, porque os dias foram difíceis, sobretudo aqueles em que estive durante oito horas sem poder comer e sem poder beber.

Como ultrapassou?

O que me fez continuar foi saber que os idosos necessitavam do meu apoio. Não podia deixá-los sozinhos. Sou Educadora Social e a prioridade da minha profissão são as pessoas. 

 

E o momento mais feliz?

O momento mais feliz foi quando soube que mais de metade dos idosos do lar tinham testado negativo à Covid-19. Não podia ter ficado mais feliz, não por mim, mas por eles.

 

O que aprendeu com esta vivência?

Aprendi que nada é tão grande como a ajuda humanitária. A coragem, a generosidade, era tudo aquilo que eu poderia oferecer nesta pandemia. A verdade é que nada é tão grande que não possa ser alcançado e nada é tão pequeno que não seja importante. Queria fazer a diferença e contribuir para um mundo melhor e consegui! Não queria que as pessoas, que correm mais risco e estão nos lares, sentissem a falta de falar com alguém. Hoje são eles, amanhã seremos nós!

 

Durante esta missão de voluntariado, um pensamento que esteve sempre presente?

O meu pensamento esteve com a minha família. Custou-me muito pensar que depois deste desafio teria de ficar de quarentena, sobretudo pelos meus avós que foram uma das razões que me levaram a abraçar esta causa.

 

 

 

 

 

 

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