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A inovação pedagógica é o grande desafio

A inovação pedagógica é o grande desafio

Sebastião Feyo de Azevedo assumiu as funções de Reitor da Universidade Portucalense em novembro de 2019, uma decisão fundamentada na “sintonia na visão sobre os caminhos de futuro para a universidade” e na “motivação pessoal”.

 

Comunica UPT: Após 46 anos dedicados ao ensino superior público, de ter sido Reitor da Universidade do Porto (2014-2018) e Diretor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (2010-2014), quais as razões que o levaram a aceitar o desafio de ser Reitor da Universidade Portucalense?

Sebastião Feyo de Azevedo: São essencialmente duas as razões que me levaram a aceitar este desafio: sintonia na visão sobre os caminhos de futuro para a universidade e motivação pessoal. Mas, detalho um pouco: o Senhor Presidente do Conselho de Administração, Professor Armando Jorge Carvalho, telefonou-me a suscitar uma conversa sobre esta ideia, sobre este desafio. Aceitei com gosto essa conversa, desde logo pelo respeito que tinha pelo Professor Armando Jorge, fruto de vários momentos de contactos profissionais em tempos não distantes. Percebi que as ideias e linhas estratégicas de desenvolvimento da Portucalense que me transmitiu se articulavam bem com as minhas próprias ideias sobre a missão das universidades, sobre o ensino superior e a ciência. Não menos relevante, e no plano estritamente pessoal, foi obviamente a minha grande motivação para continuar a trabalhar ativamente, a nível conceptual e executivo, naquilo que considero ser um serviço público, neste caso prestado por uma instituição privada, nas áreas em que toda a vida trabalhei, o ensino superior e a ciência, áreas vitais para o nosso futuro coletivo. Refleti, aceitei e assinei o contrato em 14 de novembro de 2019.

 

Já referiu que esta decisão decorre da consciência de um sentido de missão. Que sentido de missão o trouxe até aqui e que missão aceitou cumprir?

Completando o que disse, o meu sentido de missão é igualmente simples: penso que todo o ser humano, para lá do seu direito à felicidade pessoal, tem a obrigação de servir a sociedade, a humanidade, dentro das suas capacidades. Com esta ideia, e por gosto de fortalecer a minha realização pessoal e por obrigação de servir a sociedade, aceitei o desafio. E que missão aceitei cumprir? A de ajudar a promover a Portucalense em todas as vertentes que caracterizam a missão das universidades. 

 

Quais as áreas concretas em que centrará a sua atenção enquanto Reitor?

Irei intervir em todas as áreas que caracterizam a vida de uma universidade. É certa esta ideia, digamos que é das origens, que a primeira razão de ser das universidades é servir a sociedade na formação dos seus filhos, isto é, dos jovens estudantes. Obviamente que sem estudantes não há universidade. Como é certo dizer que a universidade é o local por excelência de produção de conhecimento e de debate de ideias. Mas, não se faça uma leitura redutora do que acabei de dizer. Nos dias de hoje, a necessária visão holística da missão da academia implica trazer para bordo um conjunto importante de vertentes que, no seu todo, constituem um terceiro pilar do edifício universitário, cunhado com a designação de ‘Terceira Missão’ da universidade.  Neste conjunto, releva a preocupação social e política, muito importante, da valorização do conhecimento, mas nele encontramos outras exigências de políticas da universidade moderna. São elas as políticas de dimensão social, que se exprimem particularmente no apoio aos membros da comunidade com mais dificuldade e em ações de voluntariado, e as políticas de fomento da atividade cultural e associativa, como as de fomento do desporto, importante para todos, muito importante para os jovens. Transversalmente, temos que fazer prevalecer a ética em todas as nossas relações sociais e profissionais, um tema de todas as épocas, nos dias de hoje dominado pela ameaça das tecnologias da biologia da vida, do plágio e das ‘fake news’. Temos que fomentar o desenvolvimento de capacidades de empreendedorismo. Temos finalmente que cultivar as nossas relações internacionais e a nossa relação com o tecido cultural, social, económico e industrial. As relações internacionais são fundamentais neste mundo ‘encolhido’ que encerra exigências de qualidade e de perceção da multiculturalidade. As nossas relações internas, no país, com a Administração Central, com as autarquias, com instituições públicas e privadas, da ação social, da cultura e da indústria, são uma exigência da nossa existência. 

José de Letamendei, médico e académico espanhol do século XIX, exprimiu esta ideia célebre: “El médico que sólo medicina sabe, ni medicina sabe”. Esta ideia deve ser percebida como fundamental relativamente a todas as áreas e formações. Nos dias de hoje temos que proporcionar uma formação global, de valores, para lá dos conhecimentos científicos, técnicos ou artísticos que caracterizam cada área.  Só nessa visão e nesse ambiente global seremos capazes de elevar o nosso nível de qualidade na formação, na produção de conhecimento, na ‘Terceira Missão’ da universidade. Só assim seremos competitivos. Só assim sobreviveremos. Ao falar em abstrato de todas as universidades, falo obviamente da Universidade Portucalense.

 

A investigação, a inovação pedagógica e a internacionalização são três pilares que considera fundamentais para o futuro da Universidade Portucalense. Estão previstos novos projetos nestas três esferas? Pode falar deles? 

Bom, vou “ceder” em falar destes três tópicos específicos, não esquecendo a relevância de todas as vertentes da nossa missão que identifiquei. E, ao entrar um pouco no concreto, é absolutamente necessário deixar clara a ideia que a construção do caminho do futuro se fará caminhando, em sintonia e articulação estreita com a Administração, com o esforço e contributo de todos. 

Temos que fortalecer a investigação por todas as razões. Desde logo por exigências legais, mas também porque, de facto, não há universidade sem investigação.  Parece-me claro que teremos que revisitar o enquadramento funcional dos professores, no sentido de dar mais tempo das suas obrigações contratuais àqueles que estejam envolvidos em atividade de Investigação & Desenvolvimento. Teremos que procurar novos programas doutorais, internos ou em cooperação com outras instituições. Como será necessário criar condições de apoio mais efetivo para as iniciativas para cooperação externa, nacional e internacional, para captação de fundos por parte dos nossos investigadores.

Tenciono promover de forma decidida a discussão sobre a inovação pedagógica, importante na componente académica, particularmente pensando na sua atratividade para os que cá estão e para novos públicos, mas também com impacto na investigação. Espero que sejamos capazes coletivamente de promover uma reforma interessante e necessária. 

Tenho dito, e repito, que a inovação pedagógica é o grande desafio atual das universidades. Está neste momento em curso, por todo o mundo, uma onda de revisitação dos modelos de formação – da estrutura da oferta e dos métodos. Nós temos o conhecimento e as condições para avançar nesse sentido. E serão três os grandes objetivos a atingir: tornar os cursos mais flexíveis e atrativos para as motivações, apetências e competências dos jovens, no que incluo dar aos jovens muito maior responsabilidade pela sua aprendizagem, colocá-los no centro do processo de formação; em articulação com o objetivo anterior, trazer para o processo de aprendizagem os meios tecnológicos disponíveis na Sociedade Digital em que já estamos a viver; libertar tempo para os professores empenhados em fazer investigação, em produzir conhecimento.  

 

Apesar de só ter tomado posse como Reitor há dois meses, qual a avaliação que faz da Universidade Portucalense? 

É uma Universidade! Quero dizer com isto que lhe reconheço as valências necessárias, de recursos humanos desde logo, mas também de estrutura e organização para desempenhar um papel importante para Portugal, pensando nos objetivos de missão que identifiquei acima. 

 

O que encontrou aqui de distintivo e de inspirador?

Não uso a qualificação de distintivo e inspirador no que percebi nestes dois meses e meio, que qualifico como um corpo universitário capaz, com um espírito universitário aberto à modernidade, e um ambiente estudantil muito saudável. 

 

Daqui a um ano, como gostaria de ver a Universidade Portucalense?

Gostaria de ver a comunidade profissional e estudantil empenhada num ciclo de evolução adaptada aos tempos. Gostaria que se sentisse esse processo de evolução, renovando esta nota de que temos um caminho imenso à nossa frente que se irá fazendo de forma realista, de acordo com as nossas capacidades, mas muito como resultado da nossa visão e empenho.

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