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O voluntariado pode mudar o mundo

O voluntariado pode mudar o mundo

Ana Rita Ferreira, estudante finalista de Educação Social, tem abraçado várias experiências de voluntariado internacional. Acredita no poder dos gestos simples para a mudança. “Estamos todos a um passo de mudar o mundo, apenas precisamos de motivação, e o voluntariado permite-nos alcançar essa mudança”.

Ana Rita Ferreira, estudante finalista de Educação Social, tem abraçado várias experiências de voluntariado internacional. Acredita no poder dos gestos simples para a mudança. “Estamos todos a um passo de mudar o mundo, apenas precisamos de motivação, e o voluntariado permite-nos alcançar essa mudança”.  ver mais

Quando e como surgiu a primeira oportunidade de abraçar um projeto de voluntariado?

A primeira oportunidade de abraçar um projeto de voluntariado aconteceu em 2016, através da Universidade Portucalense. Participei na festa de Natal da Associação Raríssimas, acompanhando e realizando atividades com crianças portadoras de doenças, como cantar, dançar ou saltar no insuflável.

E como surgiram as seguintes?

Em 2017, realizei voluntariado internacional em Lint, na Bélgica, através da Associação Para Onde. Durante duas semanas, estive num centro de refugiados, onde se encontravam crianças, adolescentes e famílias desconstruídas por causa das guerras ou por outras razões. No ano seguinte, fui para a Palestina, onde conheci a cultura árabe e desenvolvi atividades num campo de férias com mais de 100 crianças. A verdade é que a minha vontade de ajudar o próximo não terminou por aqui. Depois de ter ido para a Palestina, fiquei ainda mais sensibilizada pelas populações vulneráveis. Por isso, decidi mergulhar numa nova experiência na Associação Acreditar, onde, durante 5 meses, desenvolvi atividades lúdico-pedagógicas e fui companheira de crianças, vítimas de cancro.

Quais foram as principais dificuldades?

Pode parecer estranho, e se calhar o primeiro instinto é mesmo desistir, mas vale a pena esperar e aguentar até ao fim, porque realmente é algo que nos transforma. A verdade é que depois de ultrapassarmos as diferenças que existem entre culturas, a parte mais difícil é combater a saudade e o deixar para trás alguém que continua a precisar de nós. E o mais difícil de esquecer são os momentos únicos que as populações vulneráveis nos proporcionam. De facto, quando realizamos voluntariado, nós é que vamos fazer a diferença e provocar mudança, mas nós é que saímos dessa aventura completamente mudados. Agora dou muito mais valor à vida e às pequenas coisas que ela tem.

E as principais vitórias?

A minha principal vitória é conseguir um sorriso de cada criança que está comigo. Esta é a minha vitória e a principal razão por que faço voluntariado. Ouvir uma gargalhada de uma criança é como se alguém nos estivesse a agradecer pela nossa presença. É isto e todo o amor que levamos de cada experiência na nossa bagagem da vida. Por isso, tento sempre deixar espaço nesta “mala” para guardar as memórias, porque, de alguma forma, os bens materiais desaparecem, mas os sentimentos não.

O que considera determinante para cumprir com sucesso uma atividade de voluntariado?

Os pontos chave para cumprir uma atividade de voluntariado com sucesso é ter espírito de equipa, iniciativa, vontade de aprender, vontade de dar mais de si aos outros e arriscar sem medo.

Quais os conselhos que deixa a quem pretende ser voluntário internacional?

A escolha da experiência é completamente livre, por isso, escolher a aventura que mais suscite interesse e, acima de tudo, não ter medo de arriscar e mergulhar na nova cultura sem receios. A entrega por completo ao projeto é extremamente importante, porque as pessoas procuram alguém para conversar, e temos que estar conscientes que muitas delas perderam a família inteira durante a viagem de refúgio. Porém, tenho a certeza que quem vai precisar de mais ajuda no momento da despedida somos nós, os voluntários. A saudade que sentimos é imensa e o vazio também, porque deixámos alguém que continua a precisar de ajuda e não paramos de pensar nessas pessoas que foram tão amáveis connosco.

Qual a maior aprendizagem que obteve do voluntariado?

A maior aprendizagem que o voluntariado me trouxe foi dar valor às mais pequenas coisas da vida, como um abraço. Conheci esse significado na Bélgica, quando uma mãe me abraçou, agradecendo a minha presença. Essa mãe dizia que lhe fazia lembrar as filhas que se encontravam noutros centros de refugiados. Foi um misto de emoções. E o abraço que dei à minha mãe e aos meus avós quando regressei foi inexplicável. Este abraço valeu mais que mil palavras.

Outra história que queira partilhar?

A história que mais me marcou foi quando um jovem refugiado da minha idade me contou que teve de deixar tudo para trás, incluindo a própria família, para se salvar da guerra. Permaneci no Centro de Refugiados durante duas semanas e tive saudades da minha família. Aquele jovem encontrava-se no Centro há mais de cinco anos, sem ver a família.

Está a terminar a licenciatura de Educação Social. Quais as razões que a levaram a escolher este curso?

Desde muito cedo, que gosto de ajudar o próximo, e a partilha é algo que já faz parte de mim. Este mundo pode ser melhor, se todos fizermos o bem e contribuirmos da melhor forma, para que a mudança que todos anseiam, aconteça. Hoje, sou aquilo que sou e tornei-me naquilo que me tornei devido, em grande parte, ao meu percurso académico. Sem dúvida que a oportunidade de participar em projetos de voluntariado internacional fez com que gostasse ainda mais de Educação Social. Este curso foi a escolha mais acertada que já fiz na minha vida.

Futuramente o que pretende fazer quando terminar o curso?

Continuarei a participar em projetos de voluntariado. Como o futuro é uma incógnita, estou aberta a novos desafios e projetos que me permitam sentir realizada. Pretendo, por isso, matricular-me no Mestrado em Ciências da Educação e, posteriormente, dar formação na minha área. Penso que a sociedade precisa de ouvir a falar dela própria para perceber o que está a acontecer em contexto real.

 

Um sonho: Realizar voluntariado durante 6 meses em Moçambique.

Uma palavra que a defina: Coragem.

Um livro: “Dei-te o melhor de mim”, de Nicholas Sparks

Hobbies: “Cake Design” e trabalhos manuais

Cidade onde vive: Porto

 

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