Como chegar
|
Contactos

30 anos a formar magistrados

30 anos a formar magistrados

O Curso de Preparação para o Exame de Admissão ao Centro de Estudos Judiciários (CEJ) celebrou 30 anos de vida. Para assinalar este aniversário, a Universidade Portucalense convidou vários especialistas jurídicos, no dia 11 de outubro.

José Manuel Matos Fernandes, juiz conselheiro jubilado, afirmou na sua intervenção que “se trata de um curso de banda larga não só para potenciais e futuros magistrados, mas que é também uma reciclagem de conhecimento, sendo por isso um curso de preparação para o exercício de profissões ligadas ao Direito”. Finalizou, sublinhando que esta formação “é um excelente serviço que a universidade presta à sociedade”.

Anabela Rodrigues, professora catedrática da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e ex-diretora do CEJ, abordou o tema da crise da justiça. “Parece que a justiça vive obrigatoriamente em crise. A meu ver, a justiça desenvolveu-se mais devagar do que outros setores da vida coletiva, adaptou-se mais lentamente à democracia, à integração europeia, a ascensão dos meios de comunicação de massa, ao mercado, às novas tecnologias de informação e ao crescimento exponencial da litigância em Portugal”.

“Estou convicta que não tem sentido continuar a pensar-se apenas na formação dos magistrados, que é uma reflexão por metade, sem se discutir profundamente um modelo de justiça. Os magistrados portugueses estão preparados e querem fazê-lo, e é necessário ouvi-los, a eles e a todos quantos trabalham para haver justiça. Quando a justiça se confronta com grandes opções, são essas as reformas verdadeiras. Numa sociedade democrática, só um pensamento alargado legitima orientações e soluções. É para o sentido de comunidade que eu chamo a atenção. Esta comunicação é essencial e urgente, porque a justiça é obra do exercício permanente da cidadania, é um serviço público das pessoas e para as pessoas”, concluiu.

Gil Moreira dos Santos, coordenador do Curso de Preparação para o Exame de Admissão ao Centro de Estudos Judiciários, terminou a sessão comemorativa, revelando a sua origem, que nasceu de uma inquietação, sua e do professor Montalvão Machado, que se traduzia na seguinte pergunta: “Como fomentar a aplicação do que ensinamos?”

“Pensámos efetivamente que era bom que os licenciados pudessem contactar com magistrados, pudessem ver como aplicar o Direito e, sobretudo, cada um pudesse perceber as suas insuficiências”, explicou.

O sucesso destes 30 anos de história pode ser explicado pela “cortesia e a simplicidade no trato dos magistrados, que fazem as suas preleções, com os ouvintes, e a troca mútua de experiências”.

 

 

 

 

Este website usa cookies para funcionar melhor e medir a performance (Diretiva da União Europeia 2009/136/EC)